Hoje eu descobri que colecionar coisas inúteis é um fator genética na família.
Eu tenho minha famosa coleção de copos e canecas. Já virou hábito comprar pelo menos um copinho em todo lugar que eu vou. E minha família acabou adquirindo o hábito de comprar pelo menos um copinho em todo lugar que eles vão. Ou seja, tem copos e canecas da França, Inglaterra, País de Gales, Alemanha, Áustria, Honduras, El Salvador, Republica Dominicana, EUA, Japão, Holanda, Bolívia, Nicarágua, Argentina e acho que só. Fora copos de bares e bebidas e times de futebol e fofinhos e bonitinhos. Eu inclusive sei o que eu vou fazer com eles quando eu tiver minha própria casa, tipo item de decoração. E não deixo ninguém tocar, morro de medo de quebrar algum.
Além disso, eu tenho uma coleção de cartão postal, apesar que eu acho que essa é uma coleção meio clichê, todo mundo que viaja muito acaba tendo uma também.
Pois bem. Hoje eu ajudei a minha mãe a tirar do armário umas coisas das minhas irmãs que ainda entulham a minha casa sendo que elas saíram daqui há 12 anos. Eu não tenho espaço para os meus entulhos por culpa delas que nem moram mais aqui. Mas enfim, o objetivo era tirar os delas para colocar os meus. Mas a questão não é essa.
A parada é que a gente descobriu uma porrada de coleção. Tem uma caixa grande e pesada só de chaveiro. E pastas e pastas de papel de carta. Isso mesmo, papel de carta. E mais um monte de coisa velha que provavelmente vai parar no lixo. Eu entendo que as minhas irmãs viajaram muito mais do que eu (antes deu nascer, detalhe) e é até pertinente elas terem juntado um bando de tralha. Mas papel de carta?
Aí eu lembrei da minha vó. A casa dela era uma coleção ambulante. Tinham 2 cristaleiras na sala cheias de tralha. E tinha uma coluna na parede cheia de pratinhos tipo pires de xícara de café. Fora as coisas antigas tipo telefones que não funcionavam mas serviam de enfeite (um desses telefones está na sala da minha irmã).
Aliás, uma das minhas maiores frustrações vem desse artefatos antigos. Minha vó tinha uma máquina de costura de ferro, hiper pesada, mega velha, numa mesinha da sala. Eu me divertia girando na manivela quando eu era criança (eu me divertia com pouco quando eu era criança). Quando meu avô morreu e minha vó foi morar com a minha tia, ela se desfez daquela tralha toda. E NINGUÉM me perguntou o que eu queria. E eu QUERIA essa bendita máquina de costura. Eu não fiquei nem com a bengala do meu avô que eu sempre falei que queria. Ser muito mais nova é uma merda, ninguém lembra nunca de você. Tá, mentira, tenho que me retratar. Eu fiquei com todos os álbuns de fotos da família, incluindo fotos do meu pai bebê, o que foi há quase 70 anos atrás. Mas se eu lembro bem, eu meio que roubei eles antes até do meu avô morrer, para garantir que eles iam ficar para mim mesmo.
Mas história triste à parte, a minha família tem o verbo colecionar no sangue.