um momento pós total

A merda de operar é que bate um tédio depois. E no meu caso, eu não posso levantar o braço, o que torna o tédio maior ainda. Eu não sinto dor, o que é bom mas eu acho ruim. Porque aí eu não sei meus limites e às vezes fico achando que eu mexo o braço demais. Mas outras vezes acho que eu mexo o braço de menos e fico paranóica achando que vou fuder meu ombro por falta de movimentos.

Outra questão de diminuir os peitos é que eu acho que eu vou perder a força. Tipo Sansão. Acho inclusive que eu estou perdendo todo meu lado macho de ser e me tornando mulherzinha. Tudo bem, o excesso de palavrões ainda existe e não deixei de gostar de futebol (aliás fiquei meia hora conversando sobre futebol com o anestesista antes da operação, que ele também tinha passado pela péssima experiência de ver o Fla tomar um sacode do Resende no Maraca). Mas eu fico pensando em comprar roupas e eu odeio fazer compras. Acho que é normal pensar que agora eu vou poder usar um tomara-que-caia, mas eu não preciso pensar muito nisso. Sei lá, deve ser o excesso de episódios de Grey´s Anatomy que eu já assisti que estão fazendo em ficar mulherzinha temporariamente. Aliás, estou arrasada om Grey´s e Gossip Girl. A Izzie não podia ficar doente e o Nate nunca deveria ter voltado com a Blair. A Vanessa com o Chuck, tudo bem, eu sempre soube que ela era uma vagabunda. E acho que hoje é dia de ver House e Jack Bauer para equilibrar.

A merda agora vai ser todas as minhas amigas achando que eu vou super arrasar e ficar com qualquer meia tigela que aparece na minha frente. Primeiro, essa fase da minha vida de pegar qualquer meia tigela já passou. Estou velha, chata e exigente, não tenho mais paciência para isso. Sou a favor da monogamia agora. E segundo, por que peitos fazem diferença? A minha cara continua a mesma. Eu admito que eu cheguei a conclusão que para ser jornalista eu tenho que ser gostosa e vou tentar mudar essa condição na minha pessoa, mas em função da profissão, não de pegar mais ou menos homens. Tem muita mulher feia nas baladas que passam o rodo enquanto eu fico quieta, mas não tem uma jornalista esportiva feia. Falando assim parece que eu operei para ficar gostosa e ser contratada pela Globo. Não, eu operei para me sentir mais confortável e conseguir comprar sutiãs sem dificuldade. O que volta para o fato de que sim, eu sou mulherzinha.

Aliás, esse é um rótulo que eu não posso mais negar. Eu sou macho mas sou mulherzinha. A minha capacidade de falar palavrão e xingar um juiz de futebol (ou o Obina, tanto faz) é diretamente proporcional a minha capacidade de chorar assistindo Grey´s Anatomy, Gossip Girl ou quaquer comédia româtica com a Drew Barrymore ou o Adam Sandler. E eu namoraria o Seth Rogen porque ele tem exatamente o senso de humor que eu gosto. Ou seja, de um ogro.




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